HGE tem demissão em massa por telefone e atinge cerca 100 trabalhadores; farmácia satélite é fechada por falta de pessoal – Assista depoimento dos demitidos
Caos: Demissão em massa no HGE pode causar graves consequências na vida dos pacientes
O SINDPREV se solidariza com todos os profissionais da Saúde demitidos (Enfermeiros, Técnicos e Auxiliares de Enfermagem) e manifesta profunda preocupação e indignação diante dos desligamentos em massa de trabalhadores precarizados que atuam no Hospital Geral do Estado (HGE), unidade de referência da rede pública de saúde de Alagoas.
Por determinação da Secretaria de Estado da Saúde (SESAU), aproximadamente 100 trabalhadores foram demitidos de suas funções por telefone, sem justificativa alguma, conforme informações confirmadas no local, durante visita técnica realizada na quinta-feira (05/11), junto aos respectivos setores para obter esclarecimentos sobre a situação. As demissões se iniciaram no final do mês de outubro e início de novembro.
A medida vem provocando um cenário de instabilidade, insegurança e indignação entre os profissionais, especialmente porque as demissões estão ocorrendo sem que tenha sido concluído o processo de transição da gestão, gerando ainda mais apreensão quanto à continuidade dos serviços e à organização das equipes de trabalho.
- DOS IMPACTOS SOBRE OS TRABALHADORES E A ASSISTÊNCIA À POPULAÇÃO
As consequências dos desligamentos já repercutem diretamente na organização das escalas de trabalho, que segundo informações, devem ser reduzidas em mais de 10 mil horas, o que vem provocando desfalques nas equipes, comprometendo a continuidade dos serviços e ampliando a sobrecarga daqueles que permanecem em atividade. Segundo informações colhidas no local, ja se apresentam graves consequências como:
- Está suspensa a Fisioterapeuta nos finais de semana;
- A farmácia satélite do primeiro andar a partir do dia 06/11 por falta de pessoal, com isso serão dispensados os medicamentos da seguinte formas: Alas C e D, pegarão na farmácia satélite da Centro Cirúrgico Eletivo no 2º andar, o mesmo onde pegam as UTIs gerais;
- Alas E e F pegarão medicações na farmácia da Ala Azul, que fica no térreo.
A redução abrupta do quadro de trabalhadores na maior unidade hospitalar de alta complexidade do Estado, que atende diariamente pacientes em situações graves e de urgência, representa um fator de grande preocupação e risco à população. A insuficiência de profissionais pode comprometer a qualidade, a segurança e a humanização da assistência prestada à população.
Além dos prejuízos à assistência, os trabalhadores que continuam em exercício enfrentam um ambiente de profunda insegurança emocional, temor e crises de choro. O clima é de desalento, ansiedade e medo, diante da possibilidade de também serem surpreendidos com um demissão a qualquer momento, sem direito a nada, situação que assemelha-se ao trabalha escravo.
Um dos relatos mais preocupantes diz respeito à forma como algumas dessas dispensas estão sendo comunicadas: segundo informações colhidas, há situações em que o trabalhador se encontra cumprindo normalmente seu plantão quando recebe uma ligação telefônica do setor de Recursos Humanos informando que está desligado de suas funções.
Tal procedimento desrespeitoso e cruel evidencia a gravidade do cenário vivenciado pelos profissionais, que passam a trabalhar sob constante tensão, sem a necessária previsibilidade e segurança quanto à continuidade de seus vínculos.
- DA ATUAÇÃO DO SINDPREV-AL
Diante da gravidade das informações recebidas, o SINDPREV procurou o HGE, buscando esclarecimentos sobre os desligamentos e suas consequências para o funcionamento da unidade hospitalar. Durante as interlocuções, foi confirmada a dispensa de aproximadamente 100 trabalhadores, por determinação da Secretaria de Estado da Saúde (SESAU).
A confirmação reforça a necessidade de acompanhamento rigoroso da situação pelo sindicato, considerando os impactos sociais, e na assistenciais decorrentes dessa decisão administrativa.
DOS ENCAMINHAMENTOS E REIVINDICAÇÕES
Diante dos fatos apresentados, o SINDPREV considera imprescindível que o Governo do Estado e a Secretaria de Estado da Saúde:
– Apresentem esclarecimentos oficiais sobre os critérios adotados para os desligamentos e o quantitativo total de trabalhadores atingidos;
– Informem como será realizada a recomposição das equipes e a reorganização das escalas de trabalho;
– Garantam que a redução do quadro funcional não comprometa a assistência, a segurança e a integridade dos pacientes;
– Esclareçam como será conduzida a transição da gestão, evitando medidas abruptas que provoquem descontinuidade dos serviços;
– Apresentem alternativas para evitar novas dispensas indiscriminadas e assegurar condições dignas de trabalho aos profissionais; – Garantam transparência, respeito e tratamento digno aos trabalhadores, especialmente no processo de comunicação dos desligamentos. .
CONSIDERAÇÕES FINAIS
O que está acontecendo no HGE ultrapassa uma simples reorganização administrativa. Estamos diante de uma situação que envolve trabalhadores submetidos à insegurança, equipes desfalcadas, profissionais sobrecarregados e uma população que depende diariamente dos serviços oferecidos por uma das principais unidades hospitalares do estado.
É inadmissível que decisões administrativas sejam implementadas sem a devida transparência e sem uma avaliação responsável de suas consequências sobre a assistência à saúde. O hospital não funciona apenas com estruturas físicas e equipamentos: são os trabalhadores que garantem, diariamente, o atendimento, o acolhimento e o cuidado à população.
Esta entidade reafirma que a valorização dos trabalhadores e a qualidade da assistência são questões inseparáveis. Não se pode permitir que a redução abrupta de pessoal recaia sobre os ombros dos profissionais que permanecem trabalhando e, sobretudo, sobre os pacientes que necessitam de atendimento digno e seguro.
Saúde pública se faz com trabalhadores, respeito e responsabilidade. Não se pode desmontar equipes e colocar em risco a continuidade da assistência sem apresentar respostas concretas à sociedade.
O SINDPREV-AL continuará acompanhando a situação, cobrando providências e defendendo os direitos dos trabalhadores e a qualidade dos serviços públicos de saúde em Alagoas.
Assista ao vídeo:























