17 de abril de 2026

SINDPREV volta a se reunir com direção do HGE para tratar das demandas da categoria

Buscando soluções para resolver os graves problemas do Hospital Geral do Estado (HGE), foi realizada mais uma reunião, na manhã da última quinta-feira (15), com a direção do Hospital e representantes do Sindicato e dos/as servidores, onde foram expostos inúmeros problemas. O SINDPREV foi representado na reunião pelas diretoras Olga Chagas, Leopoldina Graça e Patrícia Ferreira. O diretor-geral, Fernando Melro e a diretora administrativa, Sônia Alves, também participaram da reunião, realizada na sala da direção do HGE.

De modo geral, foram tratados temas recorrentes, mas que precisam de celeridade tanto da direção do HGE, SESAU e, principalmente, por parte do governo do Estado. As demandas dizem respeito às condições de trabalho e funcionamento de setores do HGE, que historicamente apresentam sérios problemas, mas que podem ser minimizados a partir de uma ação efetiva por parte da direção do Hospital. Neste ponto, a reunião foi bastante propositiva, onde a direção se mostrou receptiva quanto às reivindicações do SINDPREV. Tivemos alguns avanços pontuais, como o caso dos motoristas e aparelhos de ar-condicionado no segundo andar do prédio do HEMOAL que está cedido ao HGE. No entanto, muito ainda tem que ser feito para que, efetivamente, o Hospital possa oferecer condições de trabalho dignas aos/as servidores/as e serviços de saúde de qualidade para a população de Alagoas.

Sabemos que a solução passa pela contratação de novos servidores/as através de concurso público; regularização dos sumos e insumos, pois falta até mesmo material de limpeza básico, como papel higiênico e papel-toalha.

Toda essa situação vem sendo levantada pelo Sindicato há muitos anos, sem que o governo avance na solução dos problemas, que são diários. Nossos servidores/as acabam sobrecarregados. Atualmente, estima-se que quase 90% dos trabalhadores/as da Saúde sejam precarizados, ou seja: profissionais com contrato temporário, sem garantia de direitos básicos. Isso sem falar que ferem a própria Lei que determina a contratação exclusivamente através de concurso público.

Cabe à sociedade reagir a este descalabro permanente. Nosso Sindicato faz o seu papel de fiscalizador, propositor e de negociar soluções, mas a responsabilidade é do governo do Estado.

Veja abaixo os principais temas discutidos na reunião com a direção do Hospital:

Motoristas

Uma das demandas recorrentes é com relação ao trabalho dos motoristas do HGE, que atualmente sofrem com um fluxo de trabalho grande, sem as devidas condições. A escala trabalho conta com, no máximo, três motorista por dia para cinco automóveis; sendo 3 ambulâncias e 2 carros da administração. Quando os motoristas entram de licença médica ou saem de férias a escala fica descoberta e a sobrecarga de trabalho aumenta.

Fernando Melro anunciou que *mediante as pautas que foram enviadas pelo sindicato, alguns ajustes foram feitos, dentre elas a ampliação do quadro de motoristas que completou as escalas, sem deixar carência* *Falta reaver às gratificações que estão diminuindo os valores e a GPF que foi cortada. Essas demandas e outras específicas que firam tratadas na reunião ficou na responsabilidade da diretora administrativa Sônia Alves, resolver o mais célere possível*.

Ala Vermelha Trauma

A Ala Vermelha Trauma opera, de forma contínua, acima de sua capacidade, instalada, em um cenário de superlotação crônica, fluxo descontrolado e acúmulo simultâneo de múltiplos casos de alta gravidade. É um ambiente caótico, com evidente comprometimento das péssimas condições de trabalho. Profissionais atuam sob pressão extrema, em espaço físico claramente insuficiente, sem condições adequadas de organização, circulação e execução técnica, o que eleva significativamente o risco de eventos adversos.
qualidade do atendimento prestado, especialmente aos pacientes pediátricos.
Não se trata de situação pontual, mas de uma rotina institucionalizada de sobrecarga e precarização, incompatível com qualquer padrão aceitável de assistência em saúde.
*De forma ainda mais grave, observa-se a conduta reiterada de médicos especialistas em ortopedia que se recusam a realizar avaliação de pacientes pediátricos na emergência pediátrica ou pediatria. Como consequência direta, crianças são indevidamente redirecionada para a Ala Vermelha Trauma, independentemente da complexidade real de seus quadros clínicos.
Os efeitos são evidentes e perturbadores: pacientes pediátricos apresentam medo, choro, angústia e sofrimento psicológico diante do ambiente hostil, enquanto seus responsáveis vivenciam profundo estado de aflição e impotência.

O diretor Fernando Melro se comprometeu em procurar uma saída para a questão do fluxo de atendimento.

Centro Cirúrgico/Trauma

As condições estruturais, sanitárias e assistenciais permanecem inadequadas e oferecem riscos a segurança de pacientes, profissionais e acadêmicos.
O expurgo permanece inoperante, obrigando a equipe a realizar o descarte de secreções em vasos sanitários comuns. Além disso, há necessidade de transportar materiais contaminados por corredores, o que configura grave risco de contaminação cruzada.
Superlotação do setor, com pacientes sendo mantidos dentro da RPA, inclusive próximos às portas das salas cirúrgicas, como forma de evitar acúmulo em corredores externos, já que não há leitos de retaguarda para UTI.

FALTA DE MATERIAL E DESPERDÍCIOS

Inúmeras vezes o SINDPREV levou ao conhecimento da direção a situação do fluxo de medicamentos, sumos , insumos e falta de produtos de limpeza, até mesmo papel higiênico e papel toalha, onde em linhas gerais está faltando quase tudo no Hospital, para e outro lado o soro que vem sendo liberado pela farmácia para preparo de medicações tem um volume de 1litro, que vem sendo desperdiçado para usar apenas 100 ml entre outras medidas . A falta contínua desse material tem gerado desperdício de recursos públicos, uma vez que há descarte inadequado e perda de insumos, além de sobrecarregar a equipe de enfermagem, que precisa lidar com improvisações além da perda de tempo assistencial, impactando diretamente a qualidade do cuidado prestado.
Adicionalmente, destaca-se a escassez do dispositivo conhecido como “transfer”.
( adaptador) para transferência de fluidos). O fornecimento é extremamente limitado, chegando ao ponto de ser disponibilizada apenas uma unidade por setor, em intervalos mensais — quando há reposição.

Esta situação é grave, expondo um sucateamento completo no Hospital, com desabastecimento, causando indignação total nos/as trabalhadores/as.

INSUFICIÊNCIA DE LEITOS DE RETAGUARDA

Infelizmente, o HGE não conta com leitos suficientes de retaguarda, gerando um grande problema, principalmente para pacientes do Centro Cirúrgico, que acabam sendo colocados em uma sala inadequada e pequena para aguardar leito na UTI. Isso sem falar que há índices alarmantes de contaminação no Centro Cirúrgico.

MORTES POR FALTA DE LEITOS

Neste cenário de falta de leitos específicos, muitos pacientes oncológicos acabam sendo submetidos a um ambiente totalmente contaminante e sem assistência devida, ficam aguardando resultado de exames de biopsia, que demoram, em média, de 20 a 30 dias para poder ser transferidos para os hospitais de referência. Muitos acabam não resistindo e morrem antes mesmos dos resultados.

SUBDIMENSIONAMENTO DE ENFERMAGEM E RISCO ASSISTENCIAL EM EMERGÊNCIA PEDIÁTRICA

Trata-se de um serviço de alta complexidade, caracterizado como porta de entrada, que recebe pacientes regulados de todo o estado, além de atuar como referência para diversas especialidades, concentradas nesta unidade. Apesar da elevada demanda assistencial e da complexidade dos casos atendidos, é escalado apenas um(a) enfermeiro(a) por plantão, configurando evidente descumprimento das normas que regem o exercício profissional da enfermagem e o dimensionamento adequado de pessoal Essa situação compromete diretamente a qualidade da assistência e a segurança do paciente.
Destaca-se ainda que o (a) único (a) enfermeiro (a) do plantão é frequentemente interrompido (a) durante seu período de descanso, inclusive no plantão noturno, para execução de procedimentos privativos, violando direitos trabalhistas básicos e contribuindo para desgaste físico e mental , ainda mais os técnicos de enfermagem permanecem sem supervisão direta do enfermeiro (a). O subdimensionamento é crítico da equipe de enfermagem, configurando não apenas precarização das condições de trabalho, mas também risco iminente à segurança dos pacientes.

Todas essas e outras pautas foram amplamente discutidas e serão encaminhadas aos responsáveis pelas pastas para se dar os encaminhamentos e ajustes necessários.

Boa notícia

Em meio ao caos, ainda há esperança. Na véspera da reunião do Sindicato com a direção, uma demanda apresentada anteriormente foi resolvida. Trata-se da instalação de aparelhos de ar-condicionado no segundo andar do HEMOAL, cedido para o HGE. Esta demanda foi apresentada pelo SINDPREV, onde há mais de oito meses os/as servidores/as reclamavam do calor excessivo devido a aparelhos quebrados, desligados ou sem funcionamento adequado. Agora, oito meses depois, a direção conseguiu resolver este problema. Diante da solução de um problema que dificultava o trabalho, alguns servidores/as procuraram as representantes do SINDPREV para agradecer o empenho nesta demanda.

Vale ressaltar que a direção do HGE tem tido uma postura receptiva para com as reivindicações do Sindicato. Em muitos casos, a situação, segundo a direção, acaba culminando pela falta de domínio do HGE quanto a dotação orçamentária. Para se ter uma ideia, apenas 30% das demandas acabam sendo resolvidas pela direção do HGE, enquanto que os outros 70% são de responsabilidade da SESAU, que simplesmente não resolve ou prorroga por tempo indeterminado o atendimento delas.

Resultado

Em vista a este cenário, o SINDPREV ressalta que vai continuar denunciando e levando ao conhecimento do público e das autoridades constituídas todas as denúncias que chegam ao nosso conhecimento. O Sindicato está elaborando um relatório completo, contento todas as situações, apontando possíveis soluções e cobrando das autoridades uma solução.

 

 

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *