2 de abril de 2020

Nossa total solidariedade ao SINTEAL e moradores dos bairros atingidos pelo desastre causado pela Braskem

Destruição do subsolo pela exploração criminosa da Braskem durante décadas obriga SINTEAL a desocupar seu prédio histórico

A Diretoria do SINDPREV-AL hipoteca total solidariedade aos companheiros e companheiras do SINTEAL, que estão tendo que desocupar seu prédio histórico, depois de uma ação criminosa da Brakem, que explora o subsolo da região por décadas sem levar em conta o impacto social, econômico e de vidas. Nossa solidariedade é estendida a todos os moradores dos bairros Mutange, Levada, Bebedouro e Pinheiro.

As companheiras e companheiros do SINTEAL receberam um ultimato para desocuparem o prédio-sede da entidade desde sexta-feira. A medida surpreendeu a diretoria e funcionários, que em meio a quarentena para prevenir o COVID-19, precisaram organizar uma força-tarefa às pressas para retirar todos os móveis e pertences da instituição, em pouquíssimos dias.

Atualmente, por conta das medidas preventivas contra o COVID-19, o Sinteal está atuando de forma remota e envidando esforços para manter o atendimento à categoria da melhor forma possível.

Diante deste quadro, nós do SINDPREV-AL nos solidarizamos com as companheiras e companheiros do valoroso SINTEAL, ao mesmo tempo que repudiamos a ação da Braskem. Também nos colocamos à disposição no que for necessário neste momento de luta de uma das entidades sindicais mais importantes do Estado de Alagoas.

Estaremos sempre juntos para lutar em prol dos direitos dos trabalhadores, da sua história, da sua vida.

Veja abaixo um texto emocionante, escrito pela ex-presidente do SITEAL, Lenilda Lima, onde registra toda a história do velho casarão Vila Amélia, eterna sede do SINTEAL.

 

“Tragédia dentro da tragédia

Por Lenilda Lima

Meninas, hoje é um dia que estou destroçada. A nossa história foi alterada do seu rumo natural sem que pudéssemos ter o último momento de despedia. Não tive o direito de olhar pela última vez aquela que foi a casa da lutas, das grandes transformações sociais e políticas. O começo da história da organização das professoras primárias APP – Associação das Professoras Primárias, mais tarde evoluindo para Associação dos Professores de Alagoas – APAL.
Foi no velho casarão Vila Amália que, de uma associação quase mutualista, surge uma organização classista, partícipe das maiores lutas políticas desse país, por bandeiras democráticas, pela universalização do ensino, gestão democrática, recursos públicos exclusivos para a Escola Pública, fundos públicos, piso, carreira, entre tantos outros.
Olhando para trás, impossível não lembrar da participação da construção do PNE – Plano Nacional de Educação, e as inserções na construção do PEE – Plano Estadual de Educação e PMEs – Planos Municipais de Educação, destacando a contribuição da professora Sandra Lira, colaboradora e parceira fundamental durante todos esses anos.
Quantas lutas políticas… greves, elaboração de dossiês da Educação, negociações e conquistas para a nossa categoria. Trazemos a marca de um Estado que através da sua organização sindical conquistou o maior número de Plano de Cargos e Carreiras com a participação efetiva do professor Milton Canuto. Sempre tendo um posto de comando, um prédio histórico, num bairro histórico, um dos mais antigos de Maceió, que além de trazer em si uma parte do resgate da nossa história, é detentor de uma beleza contrastante e única.
Lá renovávamos a nossa força e nos inspirávamos nos que nos antecederam, sempre nos reinventando. Junto com essas memórias, reverenciamos quem foi para outro plano… salve, salve Renilda, nossa querida Rena! Jarede Viana, eterna colaboradora e fonte de inspiração pela sua criatividade e espírito inquieto! Agnaldo, velho e irascível guerreiro, recordo dele sempre sentado à janela do casarão em nossas memoráveis assembleias. César, Tonho Leal, Salete, Herculano… são tantas e tantos… saudades!
Cada recanto tem uma história. Albertina com seu discurso forte, incendiando a plenária e Alba Correia, tal qual uma maestrina, procurando conduzir a luta com equilíbrio e harmonia entre os nossos pares. São tantos… Impossível nominar, os que permanecem, os que se foram.
Hoje nos reunimos na dor e indignação contra a Braskem destruidora da vida e dos governantes pela cumplicidade e omissão, pela atitude prepotente e criminosa para com a vida das pessoas, pelo desprezo à dor dos moradores dos três bairros, pelo encerramento de um ciclo de convívio social, econômico, político e afetivo das pessoas… pela usurpação do seu território para alimentar a ganância do Capital. Hoje Maceió sucumbe a vergonha de ver uma parte importante da Cidade das Águas virar uma faixa fantasma, sem som, sem voz, sem vida!
Dia triste… ( pandemia, covid -19, despejo) e eu isolada numa quarentena, sem sequer ter a chance de dar um abraço final. Só dor!
Lenilda Lima”

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