26 de setembro de 2022

Greve dos trabalhadores da Ebserh entra no sexto dia em 17 estados

Trabalhadores da Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh) estão em greve por falta de negociação

Os trabalhadores e as trabalhadoras da Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh) entram nesta segunda-feira (26) no sexto dia de greve nacional, reivindicando 22,3% de reajuste linear na tabela salarial vigente de todos os empregados, estendido ao auxílio saúde e auxílio àpessoa com deficiência, e o pagamento de 100% do retroativo considerando o período desde o vencimento do último Acordo Coletivo de Trabalho (ACT) da categoria até o momento da assinatura dos acordos em 2022. Estão em aberto os ACTs de 2020/2021, 2021/2022 e 2022/2023.

Além disso, os trabalhadores reivindicam acrescimo de R$ 600 ao salario base do cargo de Assistente Administrativo, além do reajuste linear na tabela vigente; e a manutenção de todas as cláusulas sociais do ACT vigente, observada a inclusão dos ajustes das cláusulas onde há consenso entre as partes.

Segundo levantamento da Confederação dos Trabalhadores no Serviço Público Federal (Condsef) e Federação Nacional dos Trabalhadores no Serviço Público Federal (Fenadsef). a greve atinge 17 estados e é considerada histórica, segundo o secretário-geral da Condsef/Fenadsef, Sérgio Ronaldo da Silva. Cerca de dois terços das unidades da empresa possuem empregados mobilizados, o que tem incomodado a direção da Ebserh.

Empresa se nega a negociar

As entidades sindicais estiveram na sexta-feira na sede da empresa, em Brasília, solicitando uma reunião com a diretoria. A disposição para o diálogo é demonstrada pela categoria e seus representantes.

A resposta da direção da Ebserh, porém, foi negar a negociação enquanto a greve não for encerrada. “Até o dia 21 não tinha greve e a empresa tinha trancado as negociações”, frisou Sérgio Ronaldo. “Quero afirmar aos trabalhadores: não se deixem iludir pelos assédios da empresa”, pontuou.

A direção vem dizendo que quem participar da greve será prejudicado em progressões, pontos já serão cortados, todo tipo de estratégia vem sendo utilizada para desmobilizar a categoria em seu propósito de lutar pelo que lhes é de direito. “A greve está judicializada e tudo isso será fruto de negociação junto ao TST [Tribunal Superior do Trabalho]”, explica o secretário-geral.

As entidades entraram com pedido de urgência no TST para solicitar a reabertura do processo de mediação do Acordo Coletivo de Trabalho (ACT) 2020/2021 ainda pendente. Caso o TST negue pedido de mediação e determine julgamento do dissídio, as entidades pedem ainda que os minsitros considerem julgar apenas cláusulas econômicas, uma vez que não é possível promover julgamento de cláusulas sociais.

Rio Grande do Sul

No Rio Grande do Sul, diretores do Sindicato dos Servidores e Empregados Públicos Federais do RS (Sindiserf/RS) estiveram no Hospital Escola da Universidade Federal de Pelotas (HE-UFPEL) e no Hospital Universitário da Universidade Federal do Rio Grande (HU-FURG), conversando com a categoria.

Mesmo com o frio o a chuva dos últimos dias, os grevistas dialogaram com a sociedade em frente aos Hospitais. Com apitos, cartazes, faixas e palavras de ordem, eles expõem a situação dos profissionais para os pedestres e motoristas que passam pelos locais.

A secretária-geral do Sindicato e secretária de Meio Ambiente da CUT-RS, Eleandra Koch, lembrou que “há anos a categoria está nesta peleia pelo ACT, sem proposta por parte da empresa e com muita informação falsa emitida pela Ebserh, na tentativa deliberada de criar confusão”.

“Percebemos que há um aumento no movimento paredista”, avaliou ressaltando que ainda não há disposição da Ebserh em encerrar a greve. “A empresa tem que ter respeito com os trabalhadores. E a nossa resposta é essa, mobilização e luta”, destacou Eleandra.

Em Pelotas, a direção do Sindicato e o comando de greve do HE-UFPEL foram recebidos pela Superintendência do Hospital. No encontro foi debatido o cumprimento do percentual exigido por lei. O comando de greve se propôs a enviar o quantitativo de trabalhadoras e trabalhadores que estão paralisados no turno, para que a gestão proceda as escalas e o dimensionamento da força de trabalho.

O Sindiserf/RS sublinhou que, de acordo com a decisão liminar do TST, o quantitativo mínimo diz respeito à unidade hospitalar e não aos setores especificamente. Também foi ressaltado que a comunicação sobre a greve deve ser feita entre o comando e a direção do Hospital e que não cabe, portanto, às chefias interpelar individualmente os trabalhadores.

Saiba o que é acordo coletivo de trabalho

Com informações do Condsef/Fenadsef e do Sindiserf/RS.

Fonte: CUT Brasil

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